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Fase 1 — Configuração

A Configuração é o alicerce metodológico de toda a Revisão Sistemática da Literatura: é nela que o pesquisador define o escopo, registra o protocolo e seleciona as bases que serão consultadas — antes de qualquer coleta de dados. Essa ordem não é arbitrária. Ela reflete uma exigência central de diretrizes como o PRISMA 2020 e o PROSPERO: o desenho da revisão deve ser fixado a priori, para que decisões posteriores (termos de busca, critérios de inclusão, triagem) sejam aplicadas de forma consistente e auditável, e não ajustadas a posteriori para favorecer um resultado.

No Tykyra, esta fase produz três entregáveis que sustentam todas as fases seguintes: a pesquisa criada (com objetivo e escopo definidos), o Protocolo de Pesquisa preenchido e as bases de dados configuradas. Só com esse alicerce pronto o pesquisador avança para a Fase 2 (Termos de Busca e Expressões).


Criar a Pesquisa

O ponto de partida é nomear o projeto e definir, em linhas gerais, o que será pesquisado e por quê. Na aba "Básico" do formulário de pesquisa, o pesquisador informa:

  • Nome da pesquisa (obrigatório) — identifica o projeto na lista de pesquisas e em todos os relatórios subsequentes.
  • Objetivo — a finalidade da revisão, em texto livre, que orienta as escolhas de escopo nas etapas seguintes.
  • Ano de referência e duração estimada (1 a 120 meses) — ajudam a planejar o cronograma da revisão e podem ser revisitados no Protocolo (seção de Cronograma).

Definir o objetivo nesta etapa — antes de qualquer busca — é o que diferencia uma revisão sistemática de uma revisão narrativa: o escopo é fixado primeiro, e a busca é desenhada para responder a ele, não o contrário.

Pesquisadores no plano gratuito podem editar a pesquisa livremente apenas até que ela avance no fluxo metodológico (até os status iniciais do workflow); planos premium permitem edição em qualquer momento. Essa regra existe para preservar a integridade do protocolo registrado depois que a coleta avança — editar o escopo livremente a qualquer momento comprometeria a rastreabilidade da revisão.

Tela correspondente: Criar Pesquisa


Protocolo de Pesquisa

Criada a pesquisa, o pesquisador preenche o Protocolo de Pesquisa SLR, estruturado em 8 seções alinhadas às diretrizes SPIRIT, PRISMA-P e PROSPERO:

  1. Identificação e Governança — título, registro/versão, equipe responsável, conflitos de interesse.
  2. Fundamentação e Fronteira — estado da arte, justificativa da revisão.
  3. Enquadramento Estratégico — objetivo geral e específicos, questões de pesquisa e hipóteses.
  4. Metodologia e Desenho — desenho do estudo, critérios de inclusão/exclusão, estratégia de coleta e plano de análise.
  5. Análise Prospectiva — variáveis críticas e cenários (abordagem Godet).
  6. Ética, Riscos e Integridade — aspectos éticos e plano de gestão de dados (DMP).
  7. Cronograma e Disseminação — planejamento temporal e estratégia de divulgação dos resultados.
  8. Complementos PROSPERO — elementos PICO e avaliação de viés.

Essa estrutura existe para que a revisão fique alinhada, desde o início, ao que será exigido na publicação dos resultados: o PRISMA 2020 cobra transparência no relato de cada etapa metodológica, e o PROSPERO exige o registro prospectivo do protocolo — ou seja, antes de a coleta começar, não depois. Ao preencher o protocolo nesta fase, o pesquisador já produz a base do que será exportado mais tarde para registro em repositórios externos (PROSPERO) ou para a seção de métodos do artigo final.

O preenchimento das seções pode ser feito em qualquer ordem, com indicador de progresso (seções completas/total) e filtro por metodologia (visualizar apenas os campos exigidos por PROSPERO, SPIRIT ou PRISMA, isoladamente). O protocolo também mantém histórico de versões, o que permite demonstrar, se necessário, o que foi decidido antes da coleta e o que foi eventualmente ajustado depois — outro pilar da rastreabilidade exigida por essas diretrizes.

Pesquisadores no plano gratuito podem editar o protocolo até a definição das palavras-chave (etapa seguinte do workflow); planos premium mantêm edição liberada durante toda a pesquisa.

Pesquisas de alto impacto seguem um rito de alinhar, validar e aprovar o protocolo antes de prosseguir para as próximas fases:

  • Alinhar — acordar o conteúdo e o cronograma com seu orientador ou coordenador de pesquisa.
  • Validar — submeter o protocolo a pares e/ou especialistas na área da pesquisa.
  • Aprovar — obter o aval formal de especialistas e/ou do seu orientador ou coordenador de pesquisa.

Esse rito de revisão por terceiros reduz vieses, fortalece a validade metodológica e evita retrabalho: corrigir o protocolo depois que a coleta já avançou é custoso e compromete a rastreabilidade prospectiva exigida pelo PROSPERO.

Tela correspondente: Protocolo de Pesquisa


Configuração das Bases de Dados

A terceira frente da Configuração é decidir onde a busca será executada. O Tykyra oferece um grid de bases científicas (Scopus, Web of Science, PubMed, SciELO, OpenAlex, CrossRef, Ebsco, Science Direct, SSRN, Dimensions AI, Google Scholar, Portal Capes, Lilacs, Cochrane, IEEE e Engineering Village, entre outras), e para cada uma o pesquisador define:

  • Seleção da base — quais fontes serão efetivamente consultadas na Fase 3 (Coleta).
  • Faixa de anos (ano de início e fim) — delimita a janela temporal da evidência buscada, aplicada de forma consistente a todas as bases selecionadas.
  • Limite de resultados por base, respeitando o teto permitido pelo plano do pesquisador.
  • Credenciais de acesso (API key) por base, quando exigido pelo provedor, com opção de ocultar/exibir a chave em tela.
  • Ordenação dos resultados retornados por cada base, quando aplicável.

Onde obter a chave de API de cada base

Algumas bases exigem uma chave de API para a coleta automática. A chave é gerada pelo próprio pesquisador na conta que ele mantém com o provedor — e o uso é regido pelos termos (e eventuais cobranças) de cada provedor, não pela Tykyra. Os portais oficiais são:

BaseOnde gerar a chave
Scopus e Science Direct (Elsevier)Portal de desenvolvedores da Elsevier — dev.elsevier.com (a mesma chave atende às duas)
Web of Science (Clarivate)Portal de desenvolvedores da Clarivate — developer.clarivate.com. A Tykyra integra a Web of Science Starter API (o nível de entrada), e não a Expanded API completa — confirme que você está gerando a chave da Starter API.
PubMed (NCBI E-utilities)Conta NCBI → API Key Managementncbi.nlm.nih.gov/account
IEEE XplorePortal de APIs do IEEE — developer.ieee.org
Dimensions AIMediante solicitação ao provedor — dimensions.ai

Bases abertas como SciELO, OpenAlex, CrossRef e Lilacs não exigem chave (acesso livre, no máximo um e-mail de contato opcional). Google Scholar não possui API oficial.

É possível copiar a configuração de bases de uma pesquisa já existente, o que agiliza a montagem de revisões com desenho semelhante. Também é possível indicar um diretório local de documentos para mineração de termos — preparação que será aproveitada já na Fase 2.

Definir as bases nesta fase, e não durante a coleta, é o que garante que a estratégia de busca (Fase 2) seja desenhada já sabendo quais fontes serão consultadas — cada base tem sintaxe e operadores próprios, e a tradução das expressões booleanas depende de se saber, de antemão, o conjunto de bases-alvo.

Planos têm um número máximo de bases simultâneas (assim como tetos de resultados por base); ao tentar marcar uma base além desse limite, o Tykyra exibe um aviso e impede a seleção. Os limites de cada perfil estão detalhados em Planos e Perfis de Acesso.

Tela correspondente: Configuração de Bases


Entradas, Processamento e Saídas

  • Entradas: nome, objetivo e duração da pesquisa; respostas às 8 seções do Protocolo; seleção de bases de dados com seus parâmetros (faixa de anos, limite de resultados, credenciais).
  • Processamento: criação/edição do registro da pesquisa; validação dos campos obrigatórios por seção do protocolo; validação do limite de bases conforme o plano do pesquisador; persistência da configuração para reaproveitamento em pesquisas futuras.
  • Saídas: pesquisa criada, com Protocolo de Pesquisa preenchido e bases de dados configuradas — o conjunto que serve de base para a definição dos termos de busca na fase seguinte.

Decisões Metodológicas

DecisãoJustificativa
Registrar o protocolo (8 seções SPIRIT/PRISMA-P/PROSPERO) antes de iniciar a coletaEvitar viés de seleção a posteriori e garantir reprodutibilidade, em conformidade com o registro prospectivo exigido pelo PROSPERO
Definir a faixa de anos por base já na Configuração, antes dos termos de buscaDelimitar a janela temporal da evidência de forma consistente para todas as expressões que serão executadas na Coleta
Limitar o número de bases e o preenchimento do protocolo conforme o plano do pesquisadorEquilibrar o uso de recursos da plataforma com a previsibilidade de custo para diferentes perfis de pesquisa (gratuito vs. premium)

Próximos Passos

Com a pesquisa criada, o protocolo preenchido e as bases configuradas, o pesquisador avança para a Fase 2 — Termos de Busca e Expressões, onde define o vocabulário da revisão (grupos de sinônimos) e as expressões booleanas que serão traduzidas para a sintaxe de cada base selecionada nesta fase. Veja a visão geral das fases em Visão Geral da Metodologia.


Referências